Itacolomi é uma família de fontes concebida para fins editoriais. Baseada em modelos históricos, está bem assentada na atualidade, transformando proporções clássicas em formas de letras contemporâneas. É robusta e clara em tamanhos pequenos, mantendo a consistência tanto no ambiente impresso quanto no digital.

Raízes Históricas


01. Jornal Abelha do Itaculumy, Tipografia Patrícia de Barbosa, Ouro Preto, Minas Gerais, 1824.
01b.Processo de seleção e interpretação dos caracteres.


Itacolomi é resultado de uma extensa pesquisa de doutorado conduzida por Emerson Eller sobre a introdução da tipografia no Brasil e sua relação com Portugal. Os tipos utilizados no jornal Abelha do Itaculumy (figura 01) serviram especificamente de base para este projeto.

A investigação revela que, em meados de 1820, diante da escassez de recursos e censuras, típicas do período da colonização, o gravurista Padre Viegas de Menezes (1778–1841) e o artesão Manuel José Barbosa (17?–18?) encontraram motivações para a construção de uma oficina tipográfica completa. Seguindo apenas modelos encontrados em livros e com recursos locais, fabricaram todo o maquinário e fundiram um conjunto de tipos de metal próprios, que foram utilizados nos primeiros jornais da então província de Minas Gerais. As principais inspirações para esses tipos foram, de alguma forma, os modelos de tipos escoceses.

Assim como os tipos históricos brasileiros, a fonte Itacolomi também foi intrinsecamente influenciada pelos modelos conhecidos como Scotch Romans, criados na Escócia por Richard Austin e disseminados, principalmente, por William Miller (17?–184?) e Alexander Wilson (1714–1786) entre os séculos XVIII e XIX.

Uma possível, mas improvável conexão entre Brasil e Escócia



02. Análise e interpretação da letra M.


(…) se uma pessoa tocar algum Beethoven, ela adicionará sua interpretação pessoal a ele – na música e, sobretudo, para cantar – a interpretação de um compositor é algo especial. — Van Gogh


A partir da reconstituição de uma história com muitas lacunas, permitiu-se mais espaço para imaginação, alargando o conceito de interpretação a fim de recriar características únicas dos tipos fundidos em Minas Gerais. Como resultado, este projeto apresenta uma fonte digital contemporânea com traços culturais e raízes que revelam a narrativa histórica do processo de desenvolvimento da tipografia no Brasil.




Itacolomi é uma interpretação pessoal, ao invés de um revivalismo tipográfico. É uma convergência entre as referências escocesas e as soluções visuais encontradas nos tipos da Tipografia Patrícia de Barbosa utilizados no jornal Abelha do Itaculumy.

Em suma, a Itacolomi preserva as qualidades dos famosos tipos Scotch Roman do século XIX, ao passo que adiciona uma abordagem pessoal com características únicas dos modelos brasileiros.

Possui seis pesos – romanos mais os respectivos itálicos – o que resulta em doze fontes com um extenso conjunto de caracteres que suporta mais de duzentos idiomas e inclui versaletes, ligaduras, numerais old-style e tabulares.

Verifique o specimen (pdf) para exemplos com textos corridos, conjunto de caracteres, suporte a idiomas e recursos OpenType.





Itacolomi Hill, Hermann Burmeister, 1853

Itacolomi (ou Itaculumy) significa “pedra menina” ou “menina de pedra” e, nesse contexto, refere-se ao Pico do Itacolomi, no Estado de Minas Gerais.